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5 competências fiscais que valorizam o teu currículo

 

Uma das maiores preocupações de quem termina uma licenciatura em Contabilidade, Gestão, Economia ou Finanças é a mesma: “Como vou ganhar experiência se ninguém me contrata?”

É uma dúvida legítima. Mas existe um detalhe que muitos candidatos ignoram: os recrutadores não procuram apenas experiência. Procuram pessoas capazes de resolver problemas.

Na área fiscal, essa diferença é ainda mais evidente. Mas há uma resposta prática a este dilema: competências fiscais não dependem de teres tido um emprego, dependem de teres estudado o suficiente para as aplicar.

A boa notícia é que várias dessas competências podem ser desenvolvidas através de estudo orientado e prática individual.

Conheça cinco delas.

 

1. Saber identificar o enquadramento fiscal de uma empresa

Antes de calcular qualquer imposto, é necessário compreender quem é o contribuinte.

Um profissional da área fiscal deve conseguir responder perguntas como:

  • A empresa enquadra-se como Micro, Pequena ou Média Empresa?
  • Está abrangida pelo Regime Geral ou por outro regime fiscal?
  • Quais são as obrigações fiscais decorrentes desse enquadramento?
  • Existem benefícios fiscais aplicáveis?

Este conhecimento influencia diretamente a tributação da empresa, os prazos declarativos, as obrigações contabilísticas e até os incentivos fiscais disponíveis. Segundo a Lei n.º 30/11, de 13 de setembro (Lei das Micro, Pequenas e Médias Empresas) e o Código dos Benefícios Fiscais, o enquadramento correto pode representar reduções significativas da carga tributária.

 

Como desenvolver esta competência

Analise empresas fictícias ou casos públicos, como os do programa Etreal Experience.

Tente responder: Qual seria o seu enquadramento?, Que impostos pagaria?, Quais benefícios fiscais poderia utilizar?

Este tipo de exercício demonstra capacidade de análise, muito valorizada para os entrevistadores.

 

2. Saber analisar uma factura do ponto de vista fiscal

Uma factura é muito mais do que um documento comercial. É também um documento fiscal.

O Regime Jurídico das Faturas e Documentos Fiscalmente Relevantes (Decreto Presidencial n.º 71/25) estabelece diversos requisitos obrigatórios para a emissão destes documentos.

Erros aparentemente simples podem originar:

  • correções fiscais;
  • perda do direito à dedução do IVA em determinadas situações;
  • coimas;
  • dificuldades durante ações de fiscalização.

Por isso, empresas valorizam profissionais capazes de identificar rapidamente inconsistências.

 

Como desenvolver esta competência

Reúna exemplos reais ou simulados de facturas.

Verifique se possuem:

  • identificação correcta das partes;
  • NIF;
  • numeração;
  • descrição adequada dos bens ou serviços;
  • impostos corretamente discriminados;
  • restantes elementos exigidos por lei.

 

3. Dominar os principais impostos empresariais

Nem todas as empresas procuram especialistas em todos os impostos.

Mas praticamente todas esperam que um candidato conheça os principais tributos que fazem parte da rotina empresarial.

Entre eles: IVA, IRT,  Imposto Industrial, Imposto do Selo e retenções na fonte. Mais importante do que decorar taxas é compreender, quando cada imposto é aplicado, quem é o sujeito passivo, como ocorre a liquidação e quais são as principais obrigações declarativas.

Estas competências são frequentemente avaliadas durante entrevistas técnicas.

 

Como desenvolver esta competência

Resolva exercícios práticos.

Calcule: retenções, IVA liquidado e dedutível, imposto industrial em exemplos simples. A prática desenvolve muito mais segurança do que a memorização.

 

4. Conhecer o calendário fiscal e as principais obrigações declarativas

Um dos maiores riscos fiscais das empresas não está apenas no cálculo dos impostos. está no incumprimento dos prazos. A legislação tributária angolana prevê coimas significativas pelo atraso ou falta de entrega de declarações fiscais, mesmo quando não existe imposto a pagar. Por isso, profissionais que conhecem os principais prazos transmitem maior confiança.

É importante saber, por exemplo, quais declarações devem ser entregues, quem deve entregá-las, qual a periodicidade e quais as consequências do incumprimento.

 

Como desenvolver esta competência

Construa um calendário fiscal pessoal, (modelo disponível), revise-o regularmente ecom o tempo, os principais prazos tornam-se naturais.

Além de ajudar em entrevistas, esta competência será útil durante toda a carreira.

 

5. Saber utilizar as ferramentas digitais da AGT

A Fiscalidade mudou, hoje, grande parte das obrigações fiscais é realizada através de plataformas eletrónicas, assim empresas procuram candidatos que já compreendam o funcionamento de ferramentas como: Portal do Contribuinte, facturação eletrónica, submissão dos ficheiros SAF-T, softwares de faturação certificados, sistemas ERP utilizados na gestão empresarial.

Mesmo que ainda não tenha utilizado todas estas ferramentas em ambiente profissional, compreender o seu funcionamento representa uma enorme vantagem competitiva.

Como desenvolver esta competência

Acompanhe os comunicados da AGT. Leia manuais técnicos, explore demonstrações de softwares de faturação e ERP.

Procure compreender o fluxo completo de uma obrigação fiscal, desde a emissão da factura até à submissão da declaração.

 

O que realmente diferencia um candidato?

Ao analisar currículos, muitas empresas encontram dezenas de candidatos com a mesma licenciatura, o verdadeiro diferencial costuma estar nas competências demonstradas.

Um candidato que consegue, interpretar legislação, analisar uma factura, identificar um benefício fiscal, calcular um imposto ou compreender os procedimentos da AGT, transmite muito mais confiança do que alguém que apenas afirma possuir “conhecimentos de Fiscalidade” no currículo.

Na prática, estas competências demonstram capacidade de aprendizagem, raciocínio analítico e interesse genuíno pela profissão.

São características muito valorizadas em processos de recrutamento.

 

A experiência começa antes do primeiro emprego

Existe uma ideia errada de que só aprende Fiscalidade quem já trabalha. Na realidade, muitos dos melhores profissionais começaram muito antes da primeira oportunidade., ler legislação, resolver casos práticos, acompanhar alterações fiscais, estudar decisões da AGT e praticar com documentos reais são formas eficazes de construir competências.

Quando surgir a primeira entrevista, a diferença será evidente,  não porque já trabalhaste vários anos, mas porque consegues demonstrar que sabes aplicar conhecimentos a situações concretas.

 

 


Referências

  • Lei n.º 30/11, de 13 de setembro — Lei das Micro, Pequenas e Médias Empresas.
  • Decreto Presidencial n.º 71/25 — Regime Jurídico das Faturas e Documentos Fiscalmente Relevantes.
  • Código Geral Tributário — Lei n.º 21/14, de 22 de outubro, e respetivas alterações.
  • Código do IVA, Código do Imposto Industrial, Código do IRT e Código dos Benefícios Fiscais.
  • Tendências observadas em ofertas de emprego para as áreas de Contabilidade, Fiscalidade e Finanças em Angola.

Queres acelerar a tua preparação?

Se pretendes construir uma carreira na área fiscal, começa por desenvolver competências que o mercado realmente procura. No Programa de Gestão Fiscal para Empreendedores e MPME, estamos também a preparar conteúdos específicos para estudantes e jovens profissionais, incluindo: estudos de caso reais, exercícios práticos, modelos de documentos fiscais, glossário tributário, roteiro de carreira em Fiscalidade e etc.

É uma forma de reduzir a distância entre a formação e o mercado de trabalho e de construir competências que fazem diferença desde a primeira oportunidade profissional.

Gestão Fiscal

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